Babá brasileira virou professora universitária e luta por direitos dos domésticos nos EUA

Helenita Morais - 24.out.2013/Folhapress

Há 20 anos, a brasileira Natalicia Tracy desembarcou nos EUA acompanhada de um casal de médicos, também brasileiros, que a contrataram para ser babá por um período de dois anos, enquanto eles realizariam pesquisas em um hospital de Boston.

Ela pretendia aproveitar a oportunidade para ir à escola, aprender inglês e, assim, procurar um novo emprego quando voltasse. Porém, foi impedida de estudar, de falar com a família e submetida a condições degradantes. Hoje, ela é ativista, diretora do Centro do Imigrante Brasileiro em Massachusetts e Connecticut e uma das lideranças na ampliação dos direitos dos trabalhadores domésticos no país. Leia o depoimento dela:

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Eu entrei nos Estados Unidos há 20 anos com documentação em dia: tinha um visto pelo contrato de babá para cuidar da criança de um casal de médicos brasileiros, que veio morar aqui para desenvolver pesquisas em um hospital em Boston.

Quando ainda estávamos no Brasil, eles me prometeram que eu poderia estudar, conhecer a cultura americana e aprender inglês, que era o que eu mais queria, porque eu só tinha estudados até a oitava série.

Viajei cheia de expectativas, mas não foi isso o que aconteceu quando cheguei.

Além de cuidar da criança de três anos, fiquei responsável por todo o trabalho doméstico: cozinhar, lavar e passar. Isso acontecia de segunda a segunda, sem folga.

Não me deixaram ir para a escola. E logo tiveram uma segunda criança, o que aumentou o meu trabalho e acabou com o meu sonho de estudar inglês.

No começo, me deram um quarto, mas depois, como recebiam muita visita, me colocaram para dormir em um colchão no chão da varanda.

O local era protegido apenas por um vidro bem fininho, e quando chegou o inverno, eu tinha que cobrir o chão com jornais e usava o aquecedor portátil.

Fiquei doente e tive uma reação alérgica por causa de um produto para limpar o tapete. Não me levaram ao médico, mas permitiam que eu usasse o restante do produto de inalação da criança.

 Comida, me davam só quando sobrava. Caso contrário, eu tinha de comprar.

Mas eu só podia escolher um sanduíche de US$ 1,00 no McDonald's porque o meu salário era de US$ 25 semanais.

Pegaram o meu passaporte dizendo que iam renovar o meu visto de trabalho, mas nunca renovaram. Eu fiquei ilegal nos Estados Unidos.

Quando eu pedia para estudar, a mãe dizia que eu era ingrata e que qualquer pessoa na minha situação beijaria o chão onde ela pisasse por ter me dado a oportunidade de estar em um país de primeiro mundo.

O pior de tudo foi terem me impedido de me comunicar com a minha família no Brasil. Diziam que o telefone era muito caro e não permitiam que eu colocasse meu nome na caixa de correio da casa deles. Naquela época, o carteiro não deixava as correspondências se o nome não estivesse na lista.

Dois anos se passaram e, quando chegou a hora de eles voltarem ao Brasil, eu pedi para ficar no país.

Quando eu andava na rua, sem saber falar inglês com ninguém, pensava até que seria melhor se um carro me atropelasse. Então, aprendi algumas palavras com um pequeno dicionário que eu trouxe na bagagem.

Achei no jornal de anúncios um emprego de babá para uma família americana. Eles me deram quarto, roupas novas, me pagaram o transporte para eu ir à escola e não aceitaram a minha oferta para trabalhar de graça. O meu salário era de US$ 100 por semana.

Fui para a faculdade, me casei com um americano, fiz mestrado e estou terminando o meu doutorado em sociologia na Boston University. Conheci a comunidade brasileira e me envolvi com o centro de imigração.

Hoje, sou professora na University of Massachusetts Boston e diretora-executiva do Centro do Imigrante Brasileiro em Massachusetts e Connecticut.

Em parceria com outras organizações, lutamos para ampliar os direitos dos trabalhadores domésticos nos Estados, uma questão sensível para a comunidade brasileira.

Muitos trabalham por hora na limpeza doméstica, mas os direitos são pouco reconhecidos nesses contratos. Me engajei nisso por causa da minha própria existência.

A gente que vem de família mais simples está muito acostumado a respeitar autoridade. Eu sabia que eu era invisível para eles, mas não questionava.

Hoje, depois de estudar, eu compreendi que o que os meus patrões brasileiros fizeram comigo naquela época foi tráfico humano.

DEPOIMENTO A JOANA CUNHA DE NOVA YORK - Folha de São Palo

Senado aprova texto-base da PEC do Voto Aberto em segundo turno


O plenário do Senado aprovou, em segundo turno, o texto-base da Proposta de Emenda à Constituição 43/2013, conhecida como PEC do Voto Aberto. O texto estabelece que os votos dos parlamentares sobre processos de cassação de mandato e vetos presidenciais serão públicos, e não mais secretos como atualmente.

A partir de agora os senadores vão analisar os destaques para emendas que propõem mudanças a esse texto. A maioria dos destaques é destinada a ampliar o escopo de votações que deverão ser públicas. Se forem aprovadas as emendas, os votos dos parlamentares também podem passar a ser abertos em casos de indicações de autoridades e eleições das mesas diretoras da Câmara e do Senado.

Por se tratar de PEC, para os destaques serem aprovados eles precisam de 49 votos favoráveis. Nos casos de vetos e autoridades há bastante polêmica e o plenário se manifesta até o momento de maneira dividida, com alguns senadores considerando que será prejudicial para a independência do Legislativo o fim do sigilo nas votações de indicações presidenciais. Esses também defendem emendas que estipulem o voto secreto também para vetos presidenciais. A votação continua e deve se encerrar ainda hoje.

Agência Brasil

Coração de Advogado


Você escolheu a Advocacia...

Talvez não tenha escolhido...

O fato é que em determinado momento de sua vida a carreira advocatícia surgiu em seu caminho como algo necessário ou viável.

Talvez seja uma escolha permanente, algo para a vida toda. Talvez não.

É bem provável que dará tudo certo: você terá uma carreira próspera. Aliás, desejo sinceramente que assim seja.

Pode ser também que frustrações surjam ao longo do tempo, pois há muitas expectativas, sonhos e interesses em jogo... Quando - e se - essa hora chegar, certifique-se de que tudo o que fez até agora tenha valido a pena.

Mesmo que tudo dê errado, carregue consigo ao menos a certeza de ter saboreado com dignidade a jornada.

Lute sempre o bom combate, faça o melhor que puder por quem quer que precise de você.

Não julgue as pessoas, essa tarefa não é sua. Mas escolha seus clientes, não venda nada que não queira comprar.

Pratique o bem. Seja justo.

Venda sua força de trabalho, venda soluções inteligentes, venda boa técnica profissional, mas nunca venda o coração, o senso de justiça, a oportunidade de fazer diferença no mundo.

Se tudo der errado, olhe pra dentro de si. Se estiver dando tudo certo, faça isso, também, cuidado pra não perder a alma em escolhas medíocres. Aliás, não deixe que sua alma se afogue nas correntezas do orgulho e da vaidade exagerada.

Lembre-se sempre de quem você era nos tempos de faculdade. Resgate aquele menino ou menina que queria mudar o mundo, e que talvez tenha ficado guardado nos porões da mente, soterrado por sonhos que reluziam a ouro ou prata... Liberte essa pessoa.

Não importa o que digam: ternos Gucci ou Armani, casas no campo ou na praia, carrões último tipo, conta bancária recheada e mesa farta são coisas boas, e tomara que você as conquiste. Mas nunca, nunca mesmo, valerão o sacrifício de um coração de Advogado.

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Thiago S. Galerani
Advogado e Professor de Direito.

Dirceu pede à Justiça para trabalhar como gerente de hotel


Se a Justiça autorizar, José Dirceu de Oliveira e Silva, advogado, vai trabalhar como gerente administrativo do Saint Peter Hotel, um quatro estrelas de Brasília. Em petição ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, a defesa de Dirceu comunica que o ex-ministro do governo Lula, que depois se tornou um consultor empresarial com escritório no Ibirapuera, em São Paulo, “possui proposta concreta de trabalho junto ao St. Peter”, na Asa Sul de Brasília. No dia 18, três dias depois de se entregar à Polícia Federal, Dirceu apresentou ao estabelecimento sua pretensão de tornar-se gerente administrativo.

“Em seguida, foi admitido no quadro de funcionários do hotel, o qual inclusive já elaborou e assinou o competente contrato de trabalho”, destacam os criminalistas José Luís Oliveira Lima, Camila Torres Cesar e Daniel Kignel, defensores de Dirceu. Condenado a 10 anos e 10 meses de prisão, como suposto mentor do mensalão, o ex-ministro encontra-se, desde a semana passada, em regime semiaberto – parte relativa à condenação de 7 anos e 11 meses por corrupção ativa -, conforme entendimento de Joaquim Barbosa. O ex-ministro quer manter seu blog e a atividade política, mas está desativando sua consultoria. “Não havendo dúvidas acerca do regime prisional imposto ao requerente (Dirceu) torna-se admissível a realização de trabalho externo, conforme preceitua o artigo 35, parágrafo 2.º do Código Penal”, pondera a defesa. “José Dirceu preenche todos os requisitos necessários para que lhe seja deferida a possibilidade de trabalho externo.”

Até carteira de trabalho, com carimbo do seu empregador, Dirceu já tem em mãos. No contrato, a direção do St. Peter Hotel fez constar a informação de que “tem plena ciência e anui com as condições do empregado no sentido de cumprir a atividade laboral, seja no tocante ao horário, seja por outra exigência a qualquer título, relativamente ao regime profissional semiaberto ou outro que seja determinado pelo Poder Judiciário para cumprimento da pena a que foi submetido em razão da condenação na Ação Penal 470″.

Fausto Macedo, Agência Estado

Lista de 100 melhores escolas do Enem tem apenas três instituições baianas



A lista dos melhores colégios do Brasil de acordo com as notas do Enem de 2012 foi divulgada nesta terça-feira (26). Segundo a lista, entre os cinquenta primeiros colocados apenas um colégio é baiano e quatro pertencem à região nordeste.



O Hélyos, de Feira de Santana, ficou em sétimo lugar. Depois deste, os próximos baianos da lista são: Anglo Brasileiro (71º lugar), Colégio São Paulo (87º lugar), Colégio Acesso (119º lugar), Sartre COC (159º lugar) e Colégio Módulo (160º lugar).



Todas as escolas da Bahia divulgadas na lista são particulares, exceto o Colégio Militar, que é federal e ficou em 170º lugar. Natálio Dantas, presidente do Sindicato de Escolas Particulares da Bahia, afirma que as escolas privadas de Salvador precisam se engajar mais no Enem, já que muitas se preocupam apenas em aprovar os alunos no vestibular.



Por outro lado, os preços de mensalidade cobrados por estas escolas que ficaram distantes do topo da lista são altíssimos. O Colégio Anchieta, por exemplo, cobra a mensalidade de R$ 2052 para alunos do terceiro ano do ensino médio e não entrou na lista dos 300 melhores colégios brasileiros segundo a lista divulgada hoje.



A assessoria do Anchieta informou que está apurando, junto ao Ministério da Educação (MEC), o porquê da não publicação do nome do colégio no resultado do ENEM 2012, no site do INEP.